domingo, 28 de janeiro de 2007

Aterragem: a história da avelainha


A avelainha voava certa tarde jogando com o vento cando viu umha estrela mui brillante e namorouse. Regresou de contado a casa, tola por lhe contar à sua nai a sua descoberta.

-“Que parvada! -fui a fria resposta que escuitou-. As estrelas nom forom feitas para que as avelainhas puidessem voar ao seu arredor. Procura um farol, umha pantalha, namora de algo assim: para isso fomos criadas”. A avelainha decidiu simplemente ignorar o comentario da sua nai, e alegrou-se do seu achado. À noite seguinte a estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que subiria até o céu e voaria em torno daquela lumieira luzente para lhe demonstrar o seu amor.

Fui mui difícil superar a altura à que estava afeita, mas conseguiu subir algums metros por cima do seu nível de voo normal. Pensou que, se progresava un pouquinho, terminaria chegando até a estrela. Agardava impaciente a chegada da noite, e quando via os primeiros raios da estrela, agitava ansiosamente as suas ás en direcçom ao firmamento.

A sua nai estava cada vez mais furiosa:

- Estou mui decepcionada com a minha filha –dicia-. Todas as suas irmás, primas e sobrinhas já tenhem formosas queimaduras nas súas ás a causa das lámpadas. Só a calor dumha lámpada é capaz de entusiasmar o coraçom dumha avelainha.

A avelainha, irritada porque ninguem respeitava o que sentia, decidiu marchar da casa. Mas no fundo, quedou marcada polas palabras da sua nai e considerou que tinha razom. Durante algum tempo, intentou esquecer á estrela e namorarse da luz das pantalhas de casas suntuosas, das luzes que monstraban as cores de cadros magníficos, do lume das candeias que queimavam nas mais belas catedrais do mundo... mas o seu coraçom nom conseguia esquecer à estrela, e depois de ver que a vida sem o verdadeiro amor non tinha sentido, reemprendeu o seu itinerário em direcçom ao céu. Noite tras noite intentava voar o mais alto posível, mas quando voltava à manhá, fazia-o com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristura.

A medida que se ia fazendo maior, prestava mais atençom a todo quanto via ao seu arredor. Desde alá arriba podia albiscar as cidades cheias de luzes, os montes nevados, os océanos con ondas gigantescas, as nuvens que mudavam de forma a cada minuto. A avelainha comezou a amar cada vez mais à sua estrela, porque era ela a que a impulsava a conhecer as cousas fermossas do mundo.

Um dia decidiu volver à sua casa. Entom soubo que a sua nai, irmás, primas e sobrinhas, todas as avelainhas que conhecera, morreram queimadas nas lámpadas e nas lapas das candeias, destruidas por un amor que julgavam fácil.

A avelainha, ainda cando jamais conseguira chegar até a sua estrela, viviu moitos anos mais, descobrindo cada noite cousas diferentes e interessantes. E comprendeu que, às vezes, os amores imposíveis trazem muitas mais alegrias e beneficios que aquelas que estam ao alcance das nossas maus.